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domingo, 9 de fevereiro de 2014

Aquele momento


      Ás vezes chega a ser assustador pensar naquele momento em que você tem que fazer uma escolha, naquele momento em que você tem a chance de seguir um sonho, naquele momento em que você tem que escolher se arriscar ou não em algo que pode mudar sua vida completamente.
      Aquele frio na barriga está presente em todas as nossas escolhas e também em todos os momentos que essas escolhas nos fazem passar. O frio na barriga está nos momentos ruins de medo, mas ele está nos maiores de certeza.
      Uma vez eu ouvi a seguinte frase: Algumas pessoas tem medo de mudanças. Eu tenho medo de que elas não aconteçam. Agora, pare um pouco e pense nisso. Sabe, eu tenho medo do meu futuro. De como vai ser, do que vou fazer e do que vou ter que enfrentar, mas também penso que esse futuro é o meu sonho.
      Não deixe que o medo de tentar impeça que você jogue. Para mim, nenhum medo é maior do que pensar na sensação que terei ao conseguir chegar do outro lado. Quando eu pegar o diploma, quando comprar minha casa, quando eu viajar para minha cidade dos sonhos... Isso só me motiva a dar mais um passo a frente, mas e o medo? É só uma pedrinha no meio do caminho, afinal o medo é uma coisa bastante irracional. Nós temos medo de algo que possa nem acontecer! Eu tenho medo de cobra, mas nunca nem vi uma. Tenho medo do meu futuro, mas nem sei qual é ele.
      Na verdade, nós temos medo é do desconhecido, de sentir dor, de não conseguir alcançar nossos sonhos, de ficar sozinha e de não viver ao máximo. Eu tenho medo de planejar demais e não viver. Tenho medo de viver pelo o futuro e não aproveitar o agora.
      Nós vivemos em um mundo em que tudo é questão do amanhã. Pensamos no que vamos fazer amanha, no que tenho que fazer depois daquilo e no final, nós focamos tanto em planejar algo que quando alcançamos já estamos pensando em como alcançar outra coisa, sem aproveitar o que já conseguimos.
      Guarde o passado. Viva o presente. Esqueça o futuro.
      Não tenha medo do que te aguarde, não tenha medo do desconhecido, da dor, de ficar sozinho ou de não alcançar algo. Viva da melhor forma possível e não existira medo que o possa parar.
Agora, principalmente, não tenha medo daquele momento. A vida é cheia de decisões não apenas uma. Se errar hoje, concerte amanhã, tente de novo e acerte depois.

domingo, 19 de janeiro de 2014

O arquivo


      Lia os nomes dos cem arquivos no meu computador com a esperança de achar aquele arquivo. O arquivo que escrevi a seis meses e acabou virando mais um esquecido como se um dia não tivesse tido importância. Precisava dele. Precisava lê-lo de novo. Precisava entender.
      Aquela noite.
      Finalmente. Já estava achando que tinha deletado...
      Abro o arquivo, e só de ler a primeira frase daquele pequeno texto lembro de tudo como um flash. Ele me chamando para conversar, minha mãe nervosa na mesa de jantar, a gente subindo as escadas e eu sem saber que seria a última vez que fariamos isso juntos. Já fazia muito tempo, tudo o que estava relatado naquele arquivo parecia errado na época mas agora ele não podia parecer mais certo... Agora eu entendo o que aconteceu.
      Entendo o significado de colocar os pingos nos is.
      Eles não tinham consigo e aquilo era para parecer uma separação normal entre eles, mas tudo o que sentia era que aquela era a minha primeira separação. Pode ser que não fosse minha primeira separação com um garoto, mas sabia que se eu deixasse, poderia ser mais destrutiva do que se fosse.
      Sentia que estava perdendo algo dentro de mim e que tudo que eu um dia já acreditei fosse uma mentira, mas agora... Eu entendo. Só isso que mudou naqueles seis meses, afinal, meu antigos pesadelos com aquele dia ainda aconteciam.
      Eu entendo, mas ainda não aceito. Isso é o errado naquilo tudo, mas é tão dificil saber que aquela minha vida acabou e de alguma forma, estou parada no tempo olhando para trás e me perguntando se eu podia ter evitado aquilo tudo. Não podia.
      Minhas paredes já estavam desmoronadas e não tenho um relógio para voltar o ponteiro. A única coisa que tenho é um meio de construir tudo de novo. De recomeçar, de virar a página, de escrever novas palavras, e eu realmente quero isso. O problema não está em como construir de novo, e sim me livrar da bagunça que já foi feita.
      Sentindo as lagrimas em meus olhos, fechei a tela do computador rápido e forte demais. Ouço passos vindo em minha direção e viro o rosto para a parede.
      Você está bem? O que aconteceu?
      Ouço a voz da minha mãe e enxugo as lagrimas que caiam teimosamente dos meus olhos. Viro para ela e a encaro por um instante enquanto escolhia se ficaria encarando o relógio, tentando faze-lo voltar ou se pegaria a pá e por mais que fosse difícil, começaria a escrever, finalmente, uma outra historia.
       Minha mãe continuava me olhando quando rio baixinho e me viro para o computador com a tela abaixada.
      Espero que não tenha quebrado... Já tenho muita coisa para limpar.
      Sorrio verdadeiramente e minha mãe me olhou confusa antes de retribuir o sorriso, mesmo sem entender.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Um pouco de tempo


      Ela está naquela cama, com o respirador e de minuto em minuto procuro saber se ainda respira.
      O medo sobe por minha garganta quando aquela maquina apita sem motivo, quando paro de ver ela se mexer e quando ela fecha os olhos para descansar.
      Só queria que eu pudesse tem mais um pouco de tempo com ela. Só queria poder voltar no tempo, para dizer para mim mesma para ter mais paciência, para conversar com ela e perguntar como foi o seu dia, mas agora não sou eu que não converso. Mas foi eu quem perdeu a oportunidade.
      Agora ela não pode falar, não consegue sorrir e tenho medo que não consiga mais sentir. Sentir o meu amor por ela, sentir meu carinho e minha preocupação. Sentir meu beijo em sua testa e meu carinho em seu cabelo loiro. Sorrio quando lembro quanta paixão ela tem pelo cabelo e quanto cuidado ela tem com sua beleza. Agora, apesar de estar na cama, não vive sem o blush e o batom vermelho, sem seu casaquinho florido e seu cabelo arrumadinho. Sinto  seu cheiro e lembro de como costumava ir ao seu banheiro e me esticar para tentar pegar um dos seus perfumes.
      Alcanço um de vidro transparente, em forma de bolinha e espirro um pouco no meu pescoço e pulsos. Sinto o cheiro de bebê que sempre está na minha avó e fico feliz, já me sentindo mais bonita. Pego seu batom encima da pia e passo com força vendo os meus lábios ficarem vermelhos. Um vermelho vivo que ressalta a pele que herdei dela, uma pele branquinha e rosada. Sorrio para o espelho até ouvir passos lentos vindo ao quarto.
      Saio rapidamente do banheiro e encontro ela se sentando em sua poltrona com a TV ligada no CSI pelo qual sempre foi tão apaixonada. Ela olha para mim e ri, me chamando com a mão. Sento no braço da poltrona, porque sei que já sou muito pesada para ela me aguentar. Ela fala enquanto me chama de passarinho, dou um sorriso ao ouvir o apelido e lhe dou um beijo, enquanto começava o episodio e prendemos nossa atenção na tela.
      O que eu daria para ela falar passarinho de novo, o que eu daria para ela se lembrar quem eu sou, mas agora é tarde demais para se arrepender de qualquer coisa. O que me resta é aproveitar tempo que tenho antes de ela fechar os olhos e dormir, para não mais acordar.
      Olho a maquina ao lado da cama e tudo ainda está em perfeita ordem. Ela ainda está aqui... É só o que consigo pensar para fazer meu medo entrar na minha cabeça e me lembrar de momentos pelo qual eu daria a vida para ter somente mais uma vez.
      Trim. Trim. Trim.
      O telefone toca e eu largo meu livro amaldiçoando que quer que estivesse ligando. Atendo e ouço a voz da minha tia tentando fazer uma imitação de alguém que eu não sei. Rio e ela logo começa perguntando se pode passar aqui em casa para fazermos um lanche com a vovó. Respondo que sim e logo desligamos o telefone.
      Grito minha irmã para me ajudar a botar a mesa e depois de poucos minutos já ouvimos o interfone soar. Vou até ele e me falam que é o lobo mau. Rio da minha tia e abro os dois portões que dariam para a escada. Como moro n terceiro andar, minha avó e minha tia demoram mais para subir do que para vir da casa dela para o meu prédio.
      A campainha toca e minha irmã atende abraçando minha tia afobada e minha avó cansada.              Pergunto se querem água e só as comprimento quando já as estreguei. Sento ao lado da minha avó que já começa a conversar e não sei porque, mas me sinto um pouco envergonhada de falar alguma coisa, por isso as respostas sempre são curtas. Enquanto isso minha irmã ajuda minha tia a colocar a comida na mesa.
      Nos sentamos e conversamos por algum tempo até me distrair com meu Ipod. Depois de um tempo sou despertada pela voz da minha irmã me falando para ser um pouco mais sociável. Largo o Ipod e tento interagir na conversa, mas por algum motivo, ainda não me sinto confortável.
      Queria não ter me distraído com o Ipod, e queria saber na época que o motivo do meu desconforto, era não conhecer e nem conviver o suficiente com ela para me sentir solta e confortável ao seu lado. Eu só queria um pouco mais de tempo... Mas esse último não espera por ninguém.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Uma adolescente totalmente inteligente


      Ok, esse titulo é uma completa mentira. Pelo menos ao ver dos adultos e ao meu ver de quando eu tiver, quem sabe, uns 20 anos... Mas agora eu sou apenas uma menina de 15 anos na qual a rotina se baseia em acordar, tomar leite com toddy (isso mesmo, sem café pra mim), ir para a escola e voltar dela lembrando de ligar para a mãe avisando que chegou viva do caminho de apenas dez minutos entre minha casa e minha escola. Pois é. Eu 'sou' essa pessoa agora.
      Ser ou não ser... Uma coisa muito difícil de saber ao meu ver, afinal cada pessoa te olha de uma forma diferente então... Eu não diria que sou do tipo 'menina dramática' que grita por causa da unha e nem a garota que ama andar de skate. Não sou nenhuma delas. Sou apenas eu e mesmo que isso pareça simples, ser você mesma é a coisa mais difícil que, mesmo um adulto, tenta fazer. Sim, eu não tenho muitas experiencias, na verdade eu diria que não tenho nenhuma, e como eu posso saber quem eu sou se isso é um dos maiores dilemas da vida? Simples. Sou a minha versão dos catorze anos agora. Serei outra garota com 18 e outra com 24, afinal na vida a gente aprende tanto e com tudo que aprendemos mudamos nossa forma de pensar e agir, podendo nos tornar uma pessoa completamente contraria do que sou hoje daqui a três, dois anos. Mas eu estou aproveitando essa minha idade ao máximo, porque apesar de que quando crescemos novas oportunidades surgem, também perdemos muitas coisas.
      Responsabilidade é algo que ainda não aprendi por inteiro, paciência é uma coisa que eu não tenho um pingo, alegria é o que eu tenho de monte e problemas é o que eu tenho de menos. Sério, no colégio minhas notas são maravilhosas, tenho tudo o que preciso em casa e mesmo que eu tenha algum problema, não me sinto no direito de reclamar, afinal tem muita pessoa que não tem nada. Porém isso é assunto para outro texto.
      Porém alem das pessoas que crescem tem aquelas que simplesmente não envelhecem. Muitas pessoas acham que por ter 20 anos já é adulto mas conheço muitos supostos adultos que na verdade são crianças e muitos 'adolescentes' que são muito mais adultos do que quem se acha um. Acho muito vago falar que sou uma adolescente, sou uma criança ou sou uma adulta. Para mim, ser essas coisas não depende da idade e sim da sua cabeça. Da sua maturidade. Não é quantas experiencias você já teve e sim o que aprendeu com elas. Não sei o que eu sou, só sei que sou uma pessoa com muito a aprender e que minha vida mal começou.
      Sou quem sou e é isso que as pessoas deveriam ser apesar de tudo. Elas mesmas.
      Fale, grite, deixe claro quem você é, quem quer ser, sua opinião. Viva ao máximo e completamente!